Experiência antropológica no McDonalds.

Sempre soube que este dia iria chegar. Mas antes que partisse dela, eu mesma disse: Júlia, quer conhecer o McDonalds?

Da rua ela reconheceu o logo e  entrou no salão vibrando. Parecia uma mocinha na primeira festa à noite, com os amigos.

Pedimos um Mc Feliz, nuggets e suco de laranja Del Valle. Mordeu o sanduíche e disse que não queria o pão. Separou o hamburguer com queijo. Deu duas mordidas e falou que não gostou. Experimentou um nugget e a carinha disse tudo…

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Dei um pedaço do meu hamburguer de Angus (céus, que desperdício de Angus, porque o gosto não tem nada de especial) e ela nem aceitou.

Comeu algumas batatinhas e logo começou a brincar com o mamute da Era do Gelo que ganhou na hora da compra, junto com um cartaz da promoção.

Pedi para meu marido buscar uma salada, numa última tentativa de vê-la comendo no McDonalds. 

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A salada estava bem selecionada, fresquinha, bonita. Mas, como alguém pode misturar aquele molho que vem num sachê e achar bom? Pedi sal e azeite, mas no McDonalds não tem. Ela comeu um pouco sem tempero mesmo. Trouxe para casa, com pena de jogar no lixo.

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Antes de irmos embora, meu marido perguntou se o sanduíche que ele faz é mais gostoso. Ela disse que sim, porque os ingredientes são melhores e o papai faz com amor.

– Mas, Júlia, como você sabe que aqui não tem amor?

Ela não soube responder, mas tenho certeza que isso transparece no gosto das coisas, especialmente no paladar de uma criança muito amada.

Antes de irmos embora, perguntei se ela ia tomar o suco. Não, ela não quis. Pediu para comermos rápido porque tava a fim de jantar em casa.

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